AUTORES

LUÍS VAZ DE CAMÕES - CLASSICISMO

 

  1. A OBRA LÍRICA
  2. A OBRA ÉPICA : OS LUSÍADAS 
  3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DE OS LUSÍADAS 
  4. RESUMO DAS CANTOS
  5. CANTO TERCEIRO - A MORTE DE INÊS DE CASTRO
  6. CANTO QUARTO - O VELHO DE RESTELO
  7. GLOSSÁRIO DE A MORTE DE INÊS DE CASTRO
  8. GLOSSÁRIO DE  O VELHO DE RESTELO 

 

Biografia

 

Luís Vaz de Camões teria nascido por volta de 1525 , mas não há documentos probatórios sobre a data e o local ( Lisboa ? Coimbra ) .

Sabe-se que estudou em Coimbra , onde deve ter adquirido a vasta cultura que transparece em sua obra , além de ter lifo os poetas clássicos e os humanistas , sobretudo os italianos .

Depois de breve tempo no Paço , embarcou em 1547 para a África , onde , nas lutas pela conquista de Ceuta , veio a perder o olho direito . Após o regresso , continuou a freqüentar os salões aristocráticos . Em 1552 , fere numa briga um dos funcionários reais e é preso , de onde sai para embarcar para as Índias . Em setembro de 1553 Camões está em Goa . No Oriente participou de várias expedições militares e viajou muito , exercendo as mais diversas atividades . Seu itinerário por essa parte do mundo não está devidamente documentado , mas sabe-se que em 1570 ele já está de regresso a Lisboa , sem dinheiro , mas com o precioso manuscrito de Os Lusíadas , que consegue publicar em 1572 .

Após a publicação dessa obra , o rei D.Sebastião concedeu-lhe uma pensão , mas o poeta continuou a viver pobremente . Faleceu no dia 10de junho de 1580 , deixando , além de grande obra épica , uma rica poesia lírica e as comédias El-rei Seleuco , Filodemo e Anfitriões .

A OBRA LÍRICA

 

Embora seja fácil reconhecer as diversas influências recebidas por Camões , as quais transparecem em sua obra lírica , não foi ele um simples imitador ou reprodutor de modelos . Ao contrário , assimilou essas influências e , graças a seu gênio criativo , insuflou vida nova nas formas poéticas consagradas .

A presença marcante da tradição poética popular da península Ibérica evidencia-se nas redondilhas , com seu humor , sua linguagem de sabor coloquial e seu realismo na representação de dramas sentimentais , retomando o enriquecendo a poesia do Cancioneiro geral . através dessas composições , é possível reconstituir cenas e quadros da vida popular da época , que o talento do poeta soube fixar em poemas que ainda hoje nos surpreendem pela espontaneidade . Entretanto , algumas vezes , nelas estão presentes a análise dos sentimentos e a visão crítica da existência humana , que , como veremos a seguir , constituem um dos pontos altos da obra camoniana .

Homem de seu tempo , Camões também revela a influência de autores clássicos e humanistas , como os latinos Ovídio , Horácio , Virgílio , os italianos Sannazzaro e Petrarca e os espanhóis Boscán e Garcilaso .

a densidade da poesia camoniana manifesta-se plenamente nos textos de inspiração renascentista - nos sonetos , odes , canções , elegias , églogas , oitavas e sextinas . Aí estão expressas sua constante reflexão sobre a vida humana , a análise do contraditório mundo dos sentimentos , a manifestação artística do amor platônico . E , apesar da poderosa influência dos autores estrangeiros , Camões conseguiu deixar sua marca em tudo que escreveu , colocando-se no mesmo nível ( quando não acima ) daqueles em quem se inspirava .

Dessas características da poesia lírica camoniana , destaquemos a visão idealizadora da mulher , que - por influência de Petrarca e do neoplatonismo da época - é vista como um ser superior , representante e encarnação , na Terra , do Amor Absoluto , que é purificado e livre das paixões carnais e cuja essência reside num mundo eterno e transcendental ; daí a atitude de submissão e enlevo com que admira a mulher .

Por outro lado , a angustiada reflexão sobre os desencontrados sentimentos humanos e o "desconcerto do mundo "marcam profundamente a lírica de Camões . A vibração emotiva e, ao mesmo tempo , a permanente lucidez com que são analisados os sentimentos e as paixões transmitem à obra camoniana uma dramaticidade que a torna uma das mais significativas realizações literárias não só do Renascimento mas de todos os tempos .

PEQUENOS TRECHOS DE : SONETOS , REDONDILHAS  , ELEGIA , SEXTINA

 

SONETOS

Alma minha gentil , que te partiste

Tão cedo desta vida , descontente ,

Repousa lá no céu eternamente

E viva eu cá na terra sempre triste .

 

Se lá no assento etéreo , onde subistes ,

Memória desta vida se consente ,

Não te esqueças daquele amor ardente

Que já nos olhos meus tão puro viste .

 

E se vires que pode merecer-te

Alguma cousa a dor que me ficou

Da mágoa , sem remédio , de perder-te ,

 

Roga a Deus , que teus anos encurtou ,

Que tão cedo de cá me leve a ver -te ,

Quão cedo de meus olhos te levou .   ( ...)

REDONDILHA

            cantiga alheia

Na fonte está Lianor

Lavanda a talha e chorando ,

Às amigas perguntando :

_ Vistes lá o meu amor ?

 

                                            voltas

Posto o pensamento nele ,

Porque a tudo o amor obriga ,

Cantava , mas a cantiga

Eram suspiros por ele .

Nisto estava Lianor ( ... )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

ELEGIA

 

Aquele mover de olhos excelente ,

Aquele vivo espírito inflamado

Do cristalino rosto transparente ;

aquele gesto imoto e repousado ,

Que , estando na alma propriamente escrito ,

Não pode ser em versos trasladado ;

Aquele parecer , que é infinito

Para se compreender de engenho humano ,

O qual ofendo em quanto tenho dito ,

Me inflama o coração de um doce engano ,

Me enleva e engrandece a fantasia ,

Que não vi maior glória que meu dano . 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEXTINA

Foge-me , pouco a pouco , a curta vida ,

Se por caso é verdade que inda vivo ;

Vai-se-me o breve tempo de ante os olhos ;

Choro pelo passado ; e , enquanto falo ,

Se me passam os dias passo a passo .

Vai-se me , enfim , a idade , e fica a pena .

 

Que maneira tão áspera de pena !

Que nunca uma hora viu tão longa vida

Em que possa do mal mover-se um passo .

Que mais me monta ser morto que vivo ?

Para que choro ? Enfim , para que falo ,

Se lograr-me não pude de meus olhos ? (...)

 

Obs. Atente-se pata a complexidade formal desta sextina rimada . As palavras finais de cada versos comparecerem em todas as sextinas ( estrofes de seis versos ) , mas em ordem alterada : abcdef / faebdc , etc .   

 

A OBRA ÉPICA - OS LUSÍADAS     

 

As conquistas ultramarinas , as perigosas viagens por "mares nunca dantes navegados " , a descoberta de novas terras , o contato com povos de costumes diferentes - toda essa nova dimensão da vida humana pedia ao Renascimento uma expressão poética à altura .

O desejo de dar ao sentimento heróico e conquistador era freqüentemente mencionado pelos renascentistas , sendo parcialmente realizado nas crônicas .

Por outro lado , essas circunstâncias históricas permitiam a comparação com os feitos dos navegadores antigos , sobretudo com as aventuras narradas nos poemas consagrados de Homero ( Odisséia e Ilíada ) e de Virgílio ( Eneida ) , com a vantagem ainda de não serem , como esses , fictícios , mas reais . Seria , pois , uma boa oportunidade para os renascentistas , partindo dos modelos clássicos , realizarem uma obra que cantasse os feitos de seu tempo.

Influenciado pelo clima intelectual favorável e pela leitura dos antigos , contando ainda com a experiência adquirida nas expedições marítimas e guerreiras de que tomou parte , Camões acabou realizando , graças a seu talento , a maior epopéia portuguesa e renascentista - Os Lusíadas .

Além de realizar literariamente as aspirações do Renascimento com a exaltação do poder humano , Os Lusíadas representam , sobretudo , a glorificação dos feitos heróicos portugueses , desde a formação da nacionalidade . É , pois , uma obra de ampla ressonância coletiva , cujo herói é ,  na verdade , o próprio povo português , o "ilustre peito lusitano ", representado , na visão camoniana , pelos guerreiros nobres que participaram decisivamente nas lutas pela afirmação e expansão do reino de Portugal .

Tomando como assunto central a viagem de Vasco da Gama às Índias ( 1497-1498 ) , Camões coloca o navegador como porta-voz da coletividade e exalta , no poema , a glória das conquistas , os novos reinos formados e o ideal de expansão da fé católica .

A vibração e o tom ufanista com que se inicia o poema , contudo , não se mantêm até o final . Conseguindo perceber , graças à sua visão crítica , que o reino gloriosos de Portugal já se estava perdendo na ambição de desmedida de conquista e riquezas , Camões encerra seu canto com uma nota de desânimo , que contrasta com o início vibrante :

Não mais , Musa , não mais , que a lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida ,

E não do canto , mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida .

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a pátria , não , que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

             Duma austera , apagada e vil tristeza .    

CARACTERÍSTICAS GERAIS DE OS LUSÍADAS

A influência das epopéias antigas , principalmente a Eneida , de Virgílio , é evidente em Os Lusíadas . O gênero épico clássico exigia a observação de certas convenções , tais como a interferência dos deuses ou outras entidades mitológicas nas ações dos portugueses , sempre procurando interceder junto a Júpiter , para evitar que Baco destrua a frota .

Por outro lado , um aspecto que diferencia Os Lusíadas das epopéias clássicas é a presença de um bom número da episódios líricos , sem nenhuma relação direta com o assunto central , que é a viagem de Vasco da Gama . Dentre esses episódios destaquemos , por exemplo , o caso de Inês de Castro. Além disso , o fato de o poema não ter como herói uma individualidade ( pois Vasco da Gama é , antes , um representante do povo português ) mas um ser coletivo é mais um contraste relativamente às obras clássicas . Outro aspecto diferenciador é que nas obras de Homero e Virgílio focalizam-se heróis e aventuras relativos a um tempo mítico e distante , enquanto Camões escolhe como assunto fatos historicamente recentes , o que exigia uma atitude mais objetiva e realista diante da matéria narrada .

Por último , uma observação a respeito da linguagem de Camões . A solenidade do assunto , a nobreza do gênero épico e a influência do poema de Virgílio fizeram com que Camões elaborasse um estilo grandiloqüente , numa linguagem riquíssima mas suficientemente maleável para exprimir com elegância tanto as angústias dos navegadores diante de uma tempestade oceânica como as dolorosas súplicas de Inês de Castro diante de seus algozes . E com Os Lusíadas a língua portuguesa adquire , definitivamente , foros de maioridade .

Pela grandeza de concepção , pelo realismo das descrições , pelo lirismo de vários episódios , pela visão crítica , pela soma de conhecimentos técnicos , literários , históricos e geográficos , pelo tratamento estilístico , Os Lusíadas representam um marco na consolidação da literatura portuguesa e , sem dúvida alguma uma das obras mais importantes do Renascimento .

RESUMO DOS CANTOS

 

Os Lusíadas são um poema composto de 10 cantos , num total de 1 102 estrofes ou estâncias oitava-rima , cujo esquema é abaababcc .

Seguindo os modelos clássicos , apresenta a seguinte estrutura : Proposição ,em que o poeta enuncia o assunto a ser tratado ; Invocação , em que o poeta apela às musas para que o inspirem ; Dedicatória , que é o oferecimento do poema a D. Sebastião ; Narração , onde são narradas as ações e que constitui a maior parte do poema , e Epílogo , que é o fecho da ação .

  1. CANTO 1 - Camões indica o assunto que vai abordar ( cantar os feitos heróicos dos portugueses e glorificar a nação ) , invoca as musas do Tejo , dedica o poema a D. Sebastião , exortando-o a tornar-se o terror dos mouros da África . Começa a narrativa , descrevendo o concílio dos deuses , expondo o discurso de Júpiter , a oposição de Baco e a defesa que Vênus faz dos navegadores , com o apoio de Marte . Narra , em seguida , a entrada da frota no Oceano Índico , a descoberta de algumas ilhas , a ancoragem perto de Moçambique , a visita de indígenas à armada , a visita por serem cristãos . Narra depois , o castigo infligido por Vasco da Gama aos traidores , a partida para Quíloa , a chegada a Mombaça , onde Baco tramando contra a frota .  

  2. CANTO 2 - Narra o convite traiçoeiro do rei de Mombaça para a frota entrar no porto e como Vasco da Gama enviou dois degredados para tomar informações do que havia na ilha . Como encontraram Baco feito sacerdote cristão , a emboscada dos mouros , a intervenção de Vênus e das Nereidas . A deusa pede a Júpiter que proteja os portugueses . Mercúrio é enviado à Terra para tornar os habitantes de Melinde amigos dos navegadores . Vasco da Gama vê em sonhos Mercúrio , que o aconselha a deixar Mombaça e partir para Melinde . Partida da frota . Chegada a Melinde , cujo rei hospeda gentilmente os portugueses , pedindo ao capitão que conte a história de Portugal , especialmente os feitos marítimos . 

  3. CANTO 3 - Camões inova Calíope , musa da Epopéia e da Eloqüência , expondo o exórdio da narração de Vasco da Gama . Este descreve a Europa e fala da história de Portugal , contando os principais fatos dos governos do conde D. Henrique e D.Alfonso Henrique ; destaca as lutas dele com a mãe , o cerco de Guimarães , a dedicação de Egas Moniz , a batalha de Ourique , a origem das armas de Portugal , as conquistas aos mouros , o cerco de Badajoz e a guerra com o rei de Leão . Depois , relata o poeta os fatos dos reinados de D.Sancho I , D.Sancho II , D.Afonso III , D.Dinis e D.Afonso IV . Narra o pedido feito pela rainha de Castela ao pai , implorando sua ajuda contra os mouros , e descreve o episódio de Inês de Castro . Destaca a severidade de D.Pedro e o caráter de D.Fernando . 

  4. CANTO 4 - Relata Vasco da Gama os tumultos havidos em Portugal por ocasião do falecimento de D.Fernando . Destaca afigura de D.João I , mestre de Avis  . Descreve o assassinato do conde de Andeiro e a intervenção dos reis de Castela . D.João I toma conselho com os fidalgos , realçando-se a lealdade e o patriotismo de D.Nuno Álvares . Fala o capitão de entusiasmo com que Portugal se preparou para a guerra , descreve a batalha de Aljubarrota e como D.Nuno foi pelejar no Alentejo e na Andaluzia . Conta depois como foi feita a paz e a expedição a Ceuta ,na África . Refere-se a D.Duarte , à morte de D.João I , ao cativeiro de D.Fernando , a D.Afonso V , às suas conquistas na África e aos seus desastres na guerra contra Aragão . Conta como o Indo e o Gomes apareceram em sonhos a D.Manuel , que depois disso ouviu seus conselheiros e escolheu Vasco da Gama para a empresa . Descreve ainda a figura do velho que , na praia do Restelo , dirigiu imprecações contra a sede de aventura e conquista dos portugueses .    

  5. CANTO 5 -Vasco da Gama narra a partida de sua armada  a 8 de julho de 1497 , a viagem por Açores e ilha da Madeira , costeando a Mauritânia , a Guiné e o Senegal , as ilhas Canárias , Santiago de Cabo Verde , Galofo , Mandinga , Congo , e a passagem pelo equador . Descreve ainda o avistamento do Cruzeiro do sul , o fogo-de-santelmo e uma tromba marítima . Desembarque em Santa Helena , encontro com um etíope e a aventura de Fernão Veloso . Perto do Cabo das Tormentas surge o gigante Adamastor . Depois de uma breve estada na Aguada de São Brás continuam a viagem . Os tripulantes da armada são acometidos pelo escorbuto . Atingem Moçambique , Mombaça e Melinde . 

  6. CANTO 6 - O poeta descreve as festas celebradas pelo rei de Melinde em honra dos portugueses . a continuação da viagem para a Índia , a descida de Baco ao mar para mover a destruição dos navegantes , o palácio de Netuno , o congresso dos deuses marinhos , que , excitados por Baco , mandam recado a Éolo para soltar os ventos contra a frota . Narra o episódio dos Doze de Inglaterra , pelas palavras de Veloso , e a tormenta que se abate sobre a frota . A súplica de Vasco da Gama ouvida por Vênus , que desce em socorro dos lusitanos . A frota aproxima-se de Calicute . O poeta fecha o canto tecendo considerações sobre a verdadeira glória e os meios de se alcançar fama imorredoura . 

  7. CANTO 7 - O poeta narra a chegada a Calicute . Exalta a raça portuguesa em relação a outras nações européias que , sendo mais poderosas , deixam , no entanto , o Santo Sepulcro nas mãos dos turcos . Entrada dos navegantes e descrição da Índia . Depois explica como Vasco da Gama participou a chegada da frota ao Samorim ; narra o encontro do mensageiro com o mouro Monçaide , que lhe deu hospedagem , o desembarque dos portugueses , que , acompanhados pelo governador ( Catual ) e pelos naires , dirigem-se ao palácio . A recepção feita pelo rei a Vasco da Gama . O rei encarrega o Catual de obter informações dos portugueses . Visita à nau capitânia e explicação de Paulo da Gama sobre as figuras pintadas nas bandeiras de seda . Paulo da gama principia sua narração mais interrompe-a para invocar as musas do Tejo e do Mondego , a quem pede inspiração e se queixa dos infortúnios e da ingratidão daqueles que exaltou em seus versos . 

  8. CANTO 8 - Paulo da gama explica as figuras representadas . Depois , o poeta descreve a retirada do Catual , os vaticínios de desgraças vindas do Ocidente , o aparecimento de Baco em sonho a um sacerdote maometano , sugerindo-lhe medo dos cristãos , a má vontade do rei e catuais contra Vasco da Gama , a entrevista deste com o rei , que o manda voltar à frota e enviar à terra peças de fazenda que pudessem ser trocadas ou vendidas por especiarias . é referida a traição que o Catual preparava , sem que o rei soubesse , por estar subornado pelos maometanos . Com a entrega das peças de fazenda ao Catual , Gama livrar-se da prisão  . O poeta encerra o canto fazendo considerações sobre o poder do dinheiro e a ambição humana . 

  9. CANTO 9 - O poeta narra a detenção dos feitores portugueses e as esperanças que tinham os mouros de ver destruída a frota lusitana pela armada de Meca . O Monçaide , estimando os portugueses , informa ao capitão as intenções dos infiéis . Vasco da Gama resolve levantar âncora e retém a bordo alguns mercadores de Calicute , obrigando o Samorim a entregar os feitores presos e as peças de fazendas . Conta depois a partida da armada . Descreve em seguida a ilha dos Amores , local de prazer e descanso , que Vênus , auxiliada por Cupido , prepara para oferecer aos lusitanos como recompensa de seus padecimentos e trabalhos . Desembarque dos navegantes e encontro com as ninfas . Tétis recebe Vasco da Gama . O poeta explica o simbolismo da ilha dos Amores , dizendo que representa o prêmio dos heróis e fazendo exortação à prática de feitos sublimes .   

  10. CANTO 10-  Descrição do banquete das ninfas , oferecido aos navegantes por Tétis , divindade que com voz delicada canta as façanhas futuras dos portugueses . Camões interrompe a narrativa para invocar novamente Calíope , pedindo-lhe inspiração para terminar seu poema , pois sente-se desanimado e enfraquecido pelos anos e desgostos , e deseja cantar , em grande estilo , as altas glórias de Portugal . A ninfa Tétis vaticina os feitos sublimes de vários heróis ilustres e , depois do banquete , conduz Vasco da Gama a um monte , no cimo do qual lhe mostra um globo transparente que representa o mundo , descrito segundo o sistema ptolomaico , aceito na época . Em seguida , a ninfa despede-se dos navegantes , predizendo-lhes um feliz regresso à pátria . Depois de descrever a chegada de portugueses , Camões queixa-se da decadência em que via sua pátria afundar-se e da indiferença pelas letras . E termina exortando o rei D.Sebastião à prática de ações sublimes e benignas .

 

CANTO TERCEIRO - A MORTE DE INÊS DE CASTRO 

Inês de Castro veio para Portugal como dama de honra de D.Constança , mulher do Infante D.Pedro , filho de D.Afonso IV . A sua beleza parece ter perturbado irremediavelm

ente o futuro rei , que se apaixonou por ela . Depois da morte da esposa , D.Pedro casa-se secretamente com Inês de Castro , causando grande escândalo no País . Essa ligação era vista não só um perigo para a independência nacional , pois Inês de Castro era descendente de importantes famílias nobres castelhanas , casamento poderem vir a governar Portugal , em vez do herdeiro legítimo , D.Fernando . 

Pressionado pelos seus conselheiros , o rei D.Afonso IV toma a decisão de matar a bela Inês . 

Ao saber da violenta morte de sua amada , D.Pedro reúne os seus homens de armas e procura sem descanso os assassinatos de Inês por todo o País . Uma vez presos , depois de um acordo com D.Pedro I de Castela , os assassinos foram supliciados com requintes de crueldade , como conta Fernão Lopes : "a um mandou tirar o coração pelos peitos e a outro pelas espáduas ; ...enfim mandou-os queimar ..."

Ainda segundo alguns cronistas , após ter subido ao trono , cinco anos depois da morte da amada , D.Pedro I teria mandado desenterrar o cadáver de Inês de Castro e tê-la-ia coroado rainha , fazendo depois os seus súditos e conselheiros beijarem-lhe a mão . 

Os túmulos de Inês e Pedro encontram-se frente a frente , no mosteiro de Alcobaça para que , no dia do Juízo Final , logo se reencontrem . 

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CANTO QUARTO - O VELHO DO RESTELO   

As caravelas portugueses preparam-se para a partida . Os marinheiros já a bordo enquanto da praia acenam a seus familiares e amigos . as despedidas são marcadas por lágrimas e esperanças , que se misturam nos corações dos que partem e dos que ficam , saudosos e carregados de esperança de que os seus voltem da aventura . Eis que surge no meio do povo , sem dizer de onde veio , um velho de aparência veneranda que grita com uma voz clara e alta , que do mar todos bem o escutam , contra a aventura marítima que ali começava . O velho condena o desejo de glória e a vaidade dos portugueses que se atiram ao mar , esquecendo a dor dos que ficavam e as preocupações que a estes causavam . O velho amaldiçoa o inventor da navegação e profeticamente vaticina sobre a decadência de Portugal que viria depois da glória . Suas palavras enigmáticas soaram entre os marinheiros , mas em nada mudaram o rumo da História . Assim como veio misteriosamente , desapareceu o Velho do Restelo no meio do povo . 

PARA TIRAR SUAS DÚVIDAS DOS LUSÍADAS , AQUI ESTÃO OS SIGNIFICADOS DO PORTUGUÊS  ARCAICO :  QUE HÁ NOS TRECHOS DE "A MORTE DE INÊS DE CASTRO E O VELHO DO RESTELO " .

  

GLOSSÁRIO DE : A MORTE DE INÊS DE CASTRO 

 

ESTROFE 118 

VITÓRIA = REFERÊNCIA À BATALHA DO SALADO 

D. AFONSO IV = REI DE PORTUGAL 

LOGRAR = USUFRUIR , GOZAR 

DINO = DIGNO 

QUE DO SEPULCRO OS HOMENS DESENTERRA = A FAMA QUE IMORTALIZA OS SERES HUMANOS

MÍSERA = INFELIZ 

MESQUINHA = SEM DEFESA , FRACA

DESPOIS = DEPOIS 

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ESTROFE 119 

AMOR = COM MINÚSCULA ( EDIÇÃO PRIMEIRA ) NO SENTIDO DE AFEIÇÃO COMUM QUE TODOS SENTIMENTOS A ALGUÉM 

CRUA = CRUEL 

OBRIGA = SUJEITA 

MOLESTA = FUNESTA 

PÉRFIDA = TRAIDORA , DESLEAL 

FERO = VIOLENTO 

AMOR =  PERSONIFICAÇÃO DO AMOR , O DEUS DO AMOR , O EROS DOS GREGOS . POR ISTO ESTÁ COM MAIÚSCULA . 

MITIGA = REDUZ , DIMINUI

ARAS = ALTARES  

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ESTROFES 120

INÊS = GREGO = PURA ( AGNÉ ) 

SÂNSCRITO = AGNIS = FOGO = PURIFICADA PELO FOGO 

SOSSEGO = SOSSEGADA 

COLHENDO = APROVEITANDO A JUVENTUDE 

FRUCTO = FRUITO = FORMA ARCAICA 

LEDO = ALEGRE 

FORTUNA = DESTINO 

MONDEGO = RIO DE PORTUGAL 

FERMOSOS = FORMOSOS 

ENXUITO = ENXUTO 

O NOME NO PEITO ESCRITO TINHAS = REFERÊNCIAS A D.PEDRO , REI DE PORTUGAL . 

Comentário da estrofe 120 = Esta estrofe mostra a tranqüilidade da bela Inês que colhia frutos do amor nos saudosos campos do Mondego , mas que o destino não deixaria durar muito . No verso 3  da estrofe 120 , Camões assevera que o amor embora ledo é sempre engano , uma ilusão , engano cego .

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ESTROFE 121 =

ALI = REFERÊNCIA AOS CAMPOS DO MONDEGO

FERMOSOS = FORMOSOS OLHOS

LEMBRANÇAS = MEMÓRIAS

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ESTROFE 122 =

TÁLAMOS = LEITO NUPCIAL , NÚPCIAS

GESTO = ROSTO

SUJEITA = CATIVA

NAMORADAS = RELATIVOS A AMORES

ESTRANHEZAS = NAMORADAS ESTRANGEIRAS

SESUDO = SISUDO , SÉRIO

FANTASIA = CAPRICHO , TEIMOSIA = CAPRICHO DO FILHO EM QUERER CASAR-SE COM PESSOA QUE NÃO ERA DA SUA MESMA ESTIRPE .

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ESTROFE 123 =

DETERMINA = O REI QUE TIVEREM A VIDA DE INÊS

POR = PARA

INDINA = INDIGNA

FOGO ACESO = PAIXÃO

FUROR = LOUCURA

MAURO = SARRACENO, MOURO

ALEVANTADA = LEVANTADA

UA = UMA

ESPADA FINA = ESPADA NOBRE . INÊS DE CASTRO FOI DEGOLADA E NÃO APUNHALADA .

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ESTROFE 124

HORRÍFICOS = QUE CAUSAM HORROR

ALGOZES = CARRASCOS

ANTE = DIANTE

CAVA = CRUEL

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ESTROFE 125

ALEVANTANDO = LEVANTANDO

DESPOIS = DEPOIS

PERA = PARA

ORFINDADE = ORFANDADE

ATENTANDO = OLHAR COM CUIDADO

ASSI = ASSIM

COMENTÁRIOS : Inês levanta seus olhos piedosos para o céu cristalino , já que as mãos estão atadas por um dos obedientes fiéis servidores do rei ,e olha seus filhos que tem órfãos por causa da crueldade do avô .

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ESTROFE 126

NATURA = NATUREZA

NAS = ENTRE

COA = COM

MÃE DE NINO = ENGANO DO POETA

SEMÍRAMIS , RAINHA DA ASSÍRIA ERA ESPOSA DE NINO . DIZ A LENDA QUE ELA FORA ABANDONADA NUMA FLORESTA PARA AÍ MORRER , MAS AS POMBAS E OUTRAS AVES A ALIMENTARAM E A CRIARAM .

IRMÃOS QUE ROMA EDIFICARAM = RÔMULO E REMO .

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ESTROFE 127 =

GESTO = APARÊNCIA

VENCÊ-LA = CONQUISTÁ-LA

ESCURA = TRISTE

PIEDADE SUA = PIEDADE PELOS FILHOS DE INÊS

 

COMENTÁRIOS =  INÊS IMPLORA PIEDADE AO REI , UMA DONZELA FRACA E SEM FORÇA CUJO ÚNICO CRIME FOI TER-SE SUJEITADO AO AMOR DE QUEM SOUBE CONQUISTÁ-LO . SUGERE QUE ELE TENHA AO MENOS RESPEITO COM OS NETOS .

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ESTROFE 128 =

MAURA RESISTÊNCIA = O PODER DOS MOUROS

VERSOS = MAS , SE ESTA INOCÊNCIA MERECE ISTO

CÍTIA FRIA = SUL DA RÚSSIA

LÍBIA ARDENTE = ANTIGO NOME DADO À ÁFRICA

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ESTROFE 129 =

FERIDADE = FEROCIDADE

MOURO = MORRO , MORRO DE AMORES

REFRIGÉRIO = ALÍVIO , CONFORTO

 

COMENTÁRIOS =  INÊS PEDE PARA SER COLOCADA ENTRE FERAS , O QUE LHE SERÁ MENOS DOLOROSO QUE O CONVÍVIO ENTRE OS HOMENS PORQUE PROCURARÁ ENTRE AS FERAS A PIEDADE QUE NÃO ENCONTROU ENTRE OS CORAÇÕES HUMANOS . NO EXÍLIO CRIARÁ OS FILHOS DO AMOR POR QUE MORRE E QUE LHE SERVIRÃO DE CONSOLO .

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ESTROFE 130 = 

BENINO = BONDOSO

PERTINAZ = OBSTINADO , PERSEVERANTE

FEROS = FEROZES

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ESTROFE 131 =

QUAL = COMO

CO = COM

PIRRO = FILHO DE AQUILES

VERSO 5 ( MAS ELA , OS OLHOS COM QUE O AR SERENA ) = O VERSO PODE SER LIDO ASSIM : MAS ELA ( POLICENA)  (COM) OS OLHOS COM QUE SERENA O AR .

ENDOUDECE = ENDOIDECE

MANES = ALMA DOS MORTOS

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ESTROFE 132 =

COLO = REGIÃO FRONTAL ABAIXO DO PESCOÇO

ALABASTRO = MUITO BRANCO

SUSTINHA = SUSTENTAVA

OBRAS = AÇÕES AMOROSAS DE INÊS QUE CONQUISTARAM D.PEDRO

RAINHA = REFERÊNCIA A D.PEDRO , QUE CINCO ANOS DEPOIS DA MORTE DA ESPOSA , TRANSPORTOU SEU CORPO DO CONVENTO DAS CARMELITAS EM COIMBRA PARA O MOSTEIRO DE ALCOBAÇA .

IROSOS = CHEIOS DE IRA

CUIDOSOS = DESCUIDADOS

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ESTROFE 133 =

VERSO 2 = ( TEUS RAIOS APARTAR AQUELE DIA ) = O SOL PODERIA APARTAR SEUS RAIOS DOS OLHOS DOS CARRASCOS .

BOCA FRIA = OUVIR A ÚLTIMA PALAVRA DA BOCA GELADA DE INÊS 

ESPAÇO = SENTIDO DE TEMPO

COMENTÁRIOS =  A ESTROFE EXORTA O SOL A ESCONDER-SE DIANTE DO HORROR DAQUELA CENA COMO FEZ QUANDO ATREU VINGOU DE SEU IRMÃO TIESTES , QUE TIVERA AMORES COM SUA MULHER , DANDO-LHE DE COMER DOS PRÓPRIOS FILHOS .

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ESTROFE 134 =

ASSI = ASSIM

MÃOS LASCIVAS = MÃOS BRINCALHONAS , ALEGRES

CAPELA = GRINALDA

COA = COM A

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ESTROFE 135 =

AS FILHAS DO MONDEGO = AS NINFAS DO MONDEGO SEGUNDO ALGUNS CRÍTICOS , OUTROS ACHAM QUE SÃO AS MOÇAS DE COIMBRA , AS JOVENS CONTEMPORÂNEAS DO TRÁGICO EPISÓDIO . 

MORTE ESCURA = TRISTE

MEMORARAM = RECORDARAM

FONTE = FONTE DOS AMORES , NA QUINTA DAS LÁGRIMAS , EM COIMBRA .

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GLOSSÁRIO DE O VELHO RESTELO

ESTROFE 94 =

ASPEITO = ASPECTO

VENERANDO = VENERÁVEL

MENEANDO = MOVENDO DE UM LADO PARA OUTRO

EXPERTO PEITO = CORAÇÃO EXPERIMENTADO

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ESTROFE 95 =

A QUEM = QUE

FRAUDULENTO = ARDILOSO - ENGANADOR

ATIÇA = AUMENTA

AURA = COM UM PRESTÍGIO

JUSTIÇA = PUNIÇÃO

VÃO = CORAGEM INÚTIL

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ESTROFE 96 = 

SAGAZ =ASCENSÃO

SUBIDA= DIGNA

DINA =VITUPÉRIOS = INSULTOS

NÉSCIO = IGNORANTE

COMENTÁRIOS = O VELHO AFIRMA QUE A GLÓRIA DE MANDAR É UMA DURA INQUIETAÇÃO DA ALMA E DA VIDA ; UMA FONTE DE ABANDONO E DE ADULTÉRIOS , UMA ASTUTA CONSUMIDORA DE PROPRIEDADES . O POVO ENGANA-SE A SI MESMO COM TAIS NOMES ( FAMA - GLÓRIA )

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ESTROFE 97  =

PREEMINENTE = SUPERIOR , DISTINTO

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ESTROFE 98 =

DAQUELE INSANO = DAQUELE LOUCO - ADÃO

IDADE DE OURO = HOMEM PLENAMENTE FELIZ

FERRO = HOMEM DECADENTE

ARMAS = PERÍODO DE GUERRAS

COMENTÁRIOS = OS VERSOS REFEREM-SE A ADÃO , CUJO PECADO ORIGINAL CONDENOU OS HOMENS AO EXÍLIO DO PARAÍSO , E À NECESSIDADE DE LUTAR PELA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA .

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ESTROFE 99 =

VERSO 8 ( TEMEU TANTO PERDÊ-LA QUEM A DÁ :  ) REFERE-SE A CRISTO QUE TEMEU TANTO A MORTE NA CRUZ AO PONTO DE SUAR SANGUE NO HORTO DAS OLIVEIRAS .

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ESTROFE 100 =

ISMAELITA = MOURO

SOBEJAS = MUITAS

VERSO 3 = REFERÊNCIA AO FATO DOS MOUROS SEGUIREM O ALCORÃO .

PELEJAS = LUTAS

MAIS DESEJAS = AMBIÇÕES PORTUGUESAS - NOVAS RIQUEZAS

ELE = O ISMAELITA

ESFORÇADO = CORAJOSO - FORTE

 

COMENTÁRIOS = O VELHO REFERE-SE AOS PERIGOS QUE CORREM OS PORTUGUESES COM A PROXIMIDADE DOS VALENTES MOUROS , ENQUANTO OS SOLDADOS DESEJAM TERRAS E RIQUEZAS , QUANDO BASTARIA SEREM LOUVADOS POR SUAS VITÓRIAS CONTRA OS MOUROS .

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ESTROFE 101 =

INCÓGNITO = DESCONHECIDO

LISONJE = ELOGIE

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ESTROFE 102 =

LENHO = BARCO

VERSO 3 ( DIGNO DA ETERNA PENA DO PROFUNDO ! ) = DIGNO DO ETERNO SOFRIMENTO DO INFERNO .

JUÍZO = JULGAMENTO - SENTENÇA

VERSO 7 ( TE DÊ POR ISSO FAMA NEM MEMÓRIA ) = NUNCA FALE , CANTE OU ESCREVA SOBRE TUA FAMA OU MEMÓRIA .

VERSO 8 ( MAS CONTIGO SE ACABE O NOME E GLÓRIA ! ) = SEJA ESQUECIDO .

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ESTROFE 103 =

DANO = PERDA

ESTÁTUA ILUSTRE= HUMANIDADE , O HOMEM - CRIAÇÃO DE PROMETEU

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ESTROFE 104 =

NEFANDO = TORPE , ODIOSO , IMPERDOÁVEL .

FAMA AO RIO = RIO PÓ

INTENTADO = POR TENTAR

MOÇO MISERANDO = REFERÊNCIA À LENDA DE FAETONTE OU FALTON, FILHO DO SOL , QUE SE APROXIMOU TANTO DA TERRA NA CARRUAGEM DO SOL , QUE QUEIMOU VÁRIAS REGIÕES .

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