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LUÍS VAZ DE CAMÕES - CLASSICISMO
Luís Vaz de Camões teria nascido por volta de 1525 , mas não há documentos probatórios sobre a data e o local ( Lisboa ? Coimbra ) .
Sabe-se que estudou em Coimbra , onde deve ter adquirido a vasta cultura que transparece em sua obra , além de ter lifo os poetas clássicos e os humanistas , sobretudo os italianos .
Depois de breve tempo no Paço , embarcou em 1547 para a África , onde , nas lutas pela conquista de Ceuta , veio a perder o olho direito . Após o regresso , continuou a freqüentar os salões aristocráticos . Em 1552 , fere numa briga um dos funcionários reais e é preso , de onde sai para embarcar para as Índias . Em setembro de 1553 Camões está em Goa . No Oriente participou de várias expedições militares e viajou muito , exercendo as mais diversas atividades . Seu itinerário por essa parte do mundo não está devidamente documentado , mas sabe-se que em 1570 ele já está de regresso a Lisboa , sem dinheiro , mas com o precioso manuscrito de Os Lusíadas , que consegue publicar em 1572 .
Após a publicação dessa obra , o rei D.Sebastião concedeu-lhe uma pensão , mas o poeta continuou a viver pobremente . Faleceu no dia 10de junho de 1580 , deixando , além de grande obra épica , uma rica poesia lírica e as comédias El-rei Seleuco , Filodemo e Anfitriões .
Embora seja fácil reconhecer as diversas influências recebidas por Camões , as quais transparecem em sua obra lírica , não foi ele um simples imitador ou reprodutor de modelos . Ao contrário , assimilou essas influências e , graças a seu gênio criativo , insuflou vida nova nas formas poéticas consagradas .
A presença marcante da tradição poética popular da península Ibérica evidencia-se nas redondilhas , com seu humor , sua linguagem de sabor coloquial e seu realismo na representação de dramas sentimentais , retomando o enriquecendo a poesia do Cancioneiro geral . através dessas composições , é possível reconstituir cenas e quadros da vida popular da época , que o talento do poeta soube fixar em poemas que ainda hoje nos surpreendem pela espontaneidade . Entretanto , algumas vezes , nelas estão presentes a análise dos sentimentos e a visão crítica da existência humana , que , como veremos a seguir , constituem um dos pontos altos da obra camoniana .
Homem de seu tempo , Camões também revela a influência de autores clássicos e humanistas , como os latinos Ovídio , Horácio , Virgílio , os italianos Sannazzaro e Petrarca e os espanhóis Boscán e Garcilaso .
a densidade da poesia camoniana manifesta-se plenamente nos textos de inspiração renascentista - nos sonetos , odes , canções , elegias , églogas , oitavas e sextinas . Aí estão expressas sua constante reflexão sobre a vida humana , a análise do contraditório mundo dos sentimentos , a manifestação artística do amor platônico . E , apesar da poderosa influência dos autores estrangeiros , Camões conseguiu deixar sua marca em tudo que escreveu , colocando-se no mesmo nível ( quando não acima ) daqueles em quem se inspirava .
Dessas características da poesia lírica camoniana , destaquemos a visão idealizadora da mulher , que - por influência de Petrarca e do neoplatonismo da época - é vista como um ser superior , representante e encarnação , na Terra , do Amor Absoluto , que é purificado e livre das paixões carnais e cuja essência reside num mundo eterno e transcendental ; daí a atitude de submissão e enlevo com que admira a mulher .
Por outro lado , a angustiada reflexão sobre os desencontrados sentimentos humanos e o "desconcerto do mundo "marcam profundamente a lírica de Camões . A vibração emotiva e, ao mesmo tempo , a permanente lucidez com que são analisados os sentimentos e as paixões transmitem à obra camoniana uma dramaticidade que a torna uma das mais significativas realizações literárias não só do Renascimento mas de todos os tempos .
PEQUENOS TRECHOS DE : SONETOS , REDONDILHAS , ELEGIA , SEXTINA
| SONETOS
Alma minha gentil , que te partiste Tão cedo desta vida , descontente , Repousa lá no céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste .
Se lá no assento etéreo , onde subistes , Memória desta vida se consente , Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste .
E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa , sem remédio , de perder-te ,
Roga a Deus , que teus anos encurtou , Que tão cedo de cá me leve a ver -te , Quão cedo de meus olhos te levou . ( ...) |
REDONDILHA
cantiga alheia Na fonte está Lianor Lavanda a talha e chorando , Às amigas perguntando : _ Vistes lá o meu amor ?
voltas Posto o pensamento nele , Porque a tudo o amor obriga , Cantava , mas a cantiga Eram suspiros por ele . Nisto estava Lianor ( ... )
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| ELEGIA
Aquele mover de olhos excelente , Aquele vivo espírito inflamado Do cristalino rosto transparente ; aquele gesto imoto e repousado , Que , estando na alma propriamente escrito , Não pode ser em versos trasladado ; Aquele parecer , que é infinito Para se compreender de engenho humano , O qual ofendo em quanto tenho dito , Me inflama o coração de um doce engano , Me enleva e engrandece a fantasia , Que não vi maior glória que meu dano .
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SEXTINA
Foge-me , pouco a pouco , a curta vida , Se por caso é verdade que inda vivo ; Vai-se-me o breve tempo de ante os olhos ; Choro pelo passado ; e , enquanto falo , Se me passam os dias passo a passo . Vai-se me , enfim , a idade , e fica a pena .
Que maneira tão áspera de pena ! Que nunca uma hora viu tão longa vida Em que possa do mal mover-se um passo . Que mais me monta ser morto que vivo ? Para que choro ? Enfim , para que falo , Se lograr-me não pude de meus olhos ? (...)
Obs. Atente-se pata a complexidade formal desta sextina rimada . As palavras finais de cada versos comparecerem em todas as sextinas ( estrofes de seis versos ) , mas em ordem alterada : abcdef / faebdc , etc .
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As conquistas ultramarinas , as perigosas viagens por "mares nunca dantes navegados " , a descoberta de novas terras , o contato com povos de costumes diferentes - toda essa nova dimensão da vida humana pedia ao Renascimento uma expressão poética à altura .
O desejo de dar ao sentimento heróico e conquistador era freqüentemente mencionado pelos renascentistas , sendo parcialmente realizado nas crônicas .
Por outro lado , essas circunstâncias históricas permitiam a comparação com os feitos dos navegadores antigos , sobretudo com as aventuras narradas nos poemas consagrados de Homero ( Odisséia e Ilíada ) e de Virgílio ( Eneida ) , com a vantagem ainda de não serem , como esses , fictícios , mas reais . Seria , pois , uma boa oportunidade para os renascentistas , partindo dos modelos clássicos , realizarem uma obra que cantasse os feitos de seu tempo.
Influenciado pelo clima intelectual favorável e pela leitura dos antigos , contando ainda com a experiência adquirida nas expedições marítimas e guerreiras de que tomou parte , Camões acabou realizando , graças a seu talento , a maior epopéia portuguesa e renascentista - Os Lusíadas .
Além de realizar literariamente as aspirações do Renascimento com a exaltação do poder humano , Os Lusíadas representam , sobretudo , a glorificação dos feitos heróicos portugueses , desde a formação da nacionalidade . É , pois , uma obra de ampla ressonância coletiva , cujo herói é , na verdade , o próprio povo português , o "ilustre peito lusitano ", representado , na visão camoniana , pelos guerreiros nobres que participaram decisivamente nas lutas pela afirmação e expansão do reino de Portugal .
Tomando como assunto central a viagem de Vasco da Gama às Índias ( 1497-1498 ) , Camões coloca o navegador como porta-voz da coletividade e exalta , no poema , a glória das conquistas , os novos reinos formados e o ideal de expansão da fé católica .
A vibração e o tom ufanista com que se inicia o poema , contudo , não se mantêm até o final . Conseguindo perceber , graças à sua visão crítica , que o reino gloriosos de Portugal já se estava perdendo na ambição de desmedida de conquista e riquezas , Camões encerra seu canto com uma nota de desânimo , que contrasta com o início vibrante :
Não mais , Musa , não mais , que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida ,
E não do canto , mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida .
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria , não , que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera , apagada e vil tristeza .
CARACTERÍSTICAS GERAIS DE OS LUSÍADAS
A influência das epopéias antigas , principalmente a Eneida , de Virgílio , é evidente em Os Lusíadas . O gênero épico clássico exigia a observação de certas convenções , tais como a interferência dos deuses ou outras entidades mitológicas nas ações dos portugueses , sempre procurando interceder junto a Júpiter , para evitar que Baco destrua a frota .
Por outro lado , um aspecto que diferencia Os Lusíadas das epopéias clássicas é a presença de um bom número da episódios líricos , sem nenhuma relação direta com o assunto central , que é a viagem de Vasco da Gama . Dentre esses episódios destaquemos , por exemplo , o caso de Inês de Castro. Além disso , o fato de o poema não ter como herói uma individualidade ( pois Vasco da Gama é , antes , um representante do povo português ) mas um ser coletivo é mais um contraste relativamente às obras clássicas . Outro aspecto diferenciador é que nas obras de Homero e Virgílio focalizam-se heróis e aventuras relativos a um tempo mítico e distante , enquanto Camões escolhe como assunto fatos historicamente recentes , o que exigia uma atitude mais objetiva e realista diante da matéria narrada .
Por último , uma observação a respeito da linguagem de Camões . A solenidade do assunto , a nobreza do gênero épico e a influência do poema de Virgílio fizeram com que Camões elaborasse um estilo grandiloqüente , numa linguagem riquíssima mas suficientemente maleável para exprimir com elegância tanto as angústias dos navegadores diante de uma tempestade oceânica como as dolorosas súplicas de Inês de Castro diante de seus algozes . E com Os Lusíadas a língua portuguesa adquire , definitivamente , foros de maioridade .
Pela grandeza de concepção , pelo realismo das descrições , pelo lirismo de vários episódios , pela visão crítica , pela soma de conhecimentos técnicos , literários , históricos e geográficos , pelo tratamento estilístico , Os Lusíadas representam um marco na consolidação da literatura portuguesa e , sem dúvida alguma uma das obras mais importantes do Renascimento .
Os Lusíadas são um poema composto de 10 cantos , num total de 1 102 estrofes ou estâncias oitava-rima , cujo esquema é abaababcc .
Seguindo os modelos clássicos , apresenta a seguinte estrutura : Proposição ,em que o poeta enuncia o assunto a ser tratado ; Invocação , em que o poeta apela às musas para que o inspirem ; Dedicatória , que é o oferecimento do poema a D. Sebastião ; Narração , onde são narradas as ações e que constitui a maior parte do poema , e Epílogo , que é o fecho da ação .
CANTO 1 - Camões indica o assunto que vai abordar ( cantar os feitos heróicos dos portugueses e glorificar a nação ) , invoca as musas do Tejo , dedica o poema a D. Sebastião , exortando-o a tornar-se o terror dos mouros da África . Começa a narrativa , descrevendo o concílio dos deuses , expondo o discurso de Júpiter , a oposição de Baco e a defesa que Vênus faz dos navegadores , com o apoio de Marte . Narra , em seguida , a entrada da frota no Oceano Índico , a descoberta de algumas ilhas , a ancoragem perto de Moçambique , a visita de indígenas à armada , a visita por serem cristãos . Narra depois , o castigo infligido por Vasco da Gama aos traidores , a partida para Quíloa , a chegada a Mombaça , onde Baco tramando contra a frota .
CANTO 2 - Narra o convite traiçoeiro do rei de Mombaça para a frota entrar no porto e como Vasco da Gama enviou dois degredados para tomar informações do que havia na ilha . Como encontraram Baco feito sacerdote cristão , a emboscada dos mouros , a intervenção de Vênus e das Nereidas . A deusa pede a Júpiter que proteja os portugueses . Mercúrio é enviado à Terra para tornar os habitantes de Melinde amigos dos navegadores . Vasco da Gama vê em sonhos Mercúrio , que o aconselha a deixar Mombaça e partir para Melinde . Partida da frota . Chegada a Melinde , cujo rei hospeda gentilmente os portugueses , pedindo ao capitão que conte a história de Portugal , especialmente os feitos marítimos .
CANTO 3 - Camões inova Calíope , musa da Epopéia e da Eloqüência , expondo o exórdio da narração de Vasco da Gama . Este descreve a Europa e fala da história de Portugal , contando os principais fatos dos governos do conde D. Henrique e D.Alfonso Henrique ; destaca as lutas dele com a mãe , o cerco de Guimarães , a dedicação de Egas Moniz , a batalha de Ourique , a origem das armas de Portugal , as conquistas aos mouros , o cerco de Badajoz e a guerra com o rei de Leão . Depois , relata o poeta os fatos dos reinados de D.Sancho I , D.Sancho II , D.Afonso III , D.Dinis e D.Afonso IV . Narra o pedido feito pela rainha de Castela ao pai , implorando sua ajuda contra os mouros , e descreve o episódio de Inês de Castro . Destaca a severidade de D.Pedro e o caráter de D.Fernando .
CANTO 4 - Relata Vasco da Gama os tumultos havidos em Portugal por ocasião do falecimento de D.Fernando . Destaca afigura de D.João I , mestre de Avis . Descreve o assassinato do conde de Andeiro e a intervenção dos reis de Castela . D.João I toma conselho com os fidalgos , realçando-se a lealdade e o patriotismo de D.Nuno Álvares . Fala o capitão de entusiasmo com que Portugal se preparou para a guerra , descreve a batalha de Aljubarrota e como D.Nuno foi pelejar no Alentejo e na Andaluzia . Conta depois como foi feita a paz e a expedição a Ceuta ,na África . Refere-se a D.Duarte , à morte de D.João I , ao cativeiro de D.Fernando , a D.Afonso V , às suas conquistas na África e aos seus desastres na guerra contra Aragão . Conta como o Indo e o Gomes apareceram em sonhos a D.Manuel , que depois disso ouviu seus conselheiros e escolheu Vasco da Gama para a empresa . Descreve ainda a figura do velho que , na praia do Restelo , dirigiu imprecações contra a sede de aventura e conquista dos portugueses .
CANTO 5 -Vasco da Gama narra a partida de sua armada a 8 de julho de 1497 , a viagem por Açores e ilha da Madeira , costeando a Mauritânia , a Guiné e o Senegal , as ilhas Canárias , Santiago de Cabo Verde , Galofo , Mandinga , Congo , e a passagem pelo equador . Descreve ainda o avistamento do Cruzeiro do sul , o fogo-de-santelmo e uma tromba marítima . Desembarque em Santa Helena , encontro com um etíope e a aventura de Fernão Veloso . Perto do Cabo das Tormentas surge o gigante Adamastor . Depois de uma breve estada na Aguada de São Brás continuam a viagem . Os tripulantes da armada são acometidos pelo escorbuto . Atingem Moçambique , Mombaça e Melinde .
CANTO 6 - O poeta descreve as festas celebradas pelo rei de Melinde em honra dos portugueses . a continuação da viagem para a Índia , a descida de Baco ao mar para mover a destruição dos navegantes , o palácio de Netuno , o congresso dos deuses marinhos , que , excitados por Baco , mandam recado a Éolo para soltar os ventos contra a frota . Narra o episódio dos Doze de Inglaterra , pelas palavras de Veloso , e a tormenta que se abate sobre a frota . A súplica de Vasco da Gama ouvida por Vênus , que desce em socorro dos lusitanos . A frota aproxima-se de Calicute . O poeta fecha o canto tecendo considerações sobre a verdadeira glória e os meios de se alcançar fama imorredoura .
CANTO 7 - O poeta narra a chegada a Calicute . Exalta a raça portuguesa em relação a outras nações européias que , sendo mais poderosas , deixam , no entanto , o Santo Sepulcro nas mãos dos turcos . Entrada dos navegantes e descrição da Índia . Depois explica como Vasco da Gama participou a chegada da frota ao Samorim ; narra o encontro do mensageiro com o mouro Monçaide , que lhe deu hospedagem , o desembarque dos portugueses , que , acompanhados pelo governador ( Catual ) e pelos naires , dirigem-se ao palácio . A recepção feita pelo rei a Vasco da Gama . O rei encarrega o Catual de obter informações dos portugueses . Visita à nau capitânia e explicação de Paulo da Gama sobre as figuras pintadas nas bandeiras de seda . Paulo da gama principia sua narração mais interrompe-a para invocar as musas do Tejo e do Mondego , a quem pede inspiração e se queixa dos infortúnios e da ingratidão daqueles que exaltou em seus versos .
CANTO 8 - Paulo da gama explica as figuras representadas . Depois , o poeta descreve a retirada do Catual , os vaticínios de desgraças vindas do Ocidente , o aparecimento de Baco em sonho a um sacerdote maometano , sugerindo-lhe medo dos cristãos , a má vontade do rei e catuais contra Vasco da Gama , a entrevista deste com o rei , que o manda voltar à frota e enviar à terra peças de fazenda que pudessem ser trocadas ou vendidas por especiarias . é referida a traição que o Catual preparava , sem que o rei soubesse , por estar subornado pelos maometanos . Com a entrega das peças de fazenda ao Catual , Gama livrar-se da prisão . O poeta encerra o canto fazendo considerações sobre o poder do dinheiro e a ambição humana .
CANTO 9 - O poeta narra a detenção dos feitores portugueses e as esperanças que tinham os mouros de ver destruída a frota lusitana pela armada de Meca . O Monçaide , estimando os portugueses , informa ao capitão as intenções dos infiéis . Vasco da Gama resolve levantar âncora e retém a bordo alguns mercadores de Calicute , obrigando o Samorim a entregar os feitores presos e as peças de fazendas . Conta depois a partida da armada . Descreve em seguida a ilha dos Amores , local de prazer e descanso , que Vênus , auxiliada por Cupido , prepara para oferecer aos lusitanos como recompensa de seus padecimentos e trabalhos . Desembarque dos navegantes e encontro com as ninfas . Tétis recebe Vasco da Gama . O poeta explica o simbolismo da ilha dos Amores , dizendo que representa o prêmio dos heróis e fazendo exortação à prática de feitos sublimes .
CANTO 10- Descrição do banquete das ninfas , oferecido aos navegantes por Tétis , divindade que com voz delicada canta as façanhas futuras dos portugueses . Camões interrompe a narrativa para invocar novamente Calíope , pedindo-lhe inspiração para terminar seu poema , pois sente-se desanimado e enfraquecido pelos anos e desgostos , e deseja cantar , em grande estilo , as altas glórias de Portugal . A ninfa Tétis vaticina os feitos sublimes de vários heróis ilustres e , depois do banquete , conduz Vasco da Gama a um monte , no cimo do qual lhe mostra um globo transparente que representa o mundo , descrito segundo o sistema ptolomaico , aceito na época . Em seguida , a ninfa despede-se dos navegantes , predizendo-lhes um feliz regresso à pátria . Depois de descrever a chegada de portugueses , Camões queixa-se da decadência em que via sua pátria afundar-se e da indiferença pelas letras . E termina exortando o rei D.Sebastião à prática de ações sublimes e benignas .
CANTO TERCEIRO - A MORTE DE INÊS DE CASTRO
Inês
de Castro veio para Portugal como dama de honra de D.Constança , mulher do
Infante D.Pedro , filho de D.Afonso IV . A sua beleza parece ter perturbado
irremediavelm
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Pressionado pelos seus conselheiros , o rei D.Afonso IV toma a decisão de matar a bela Inês .
Ao saber da violenta morte de sua amada , D.Pedro reúne os seus homens de armas e procura sem descanso os assassinatos de Inês por todo o País . Uma vez presos , depois de um acordo com D.Pedro I de Castela , os assassinos foram supliciados com requintes de crueldade , como conta Fernão Lopes : "a um mandou tirar o coração pelos peitos e a outro pelas espáduas ; ...enfim mandou-os queimar ..."
Ainda segundo alguns cronistas , após ter subido ao trono , cinco anos depois da morte da amada , D.Pedro I teria mandado desenterrar o cadáver de Inês de Castro e tê-la-ia coroado rainha , fazendo depois os seus súditos e conselheiros beijarem-lhe a mão .
Os túmulos de Inês e Pedro encontram-se frente a frente , no mosteiro de Alcobaça para que , no dia do Juízo Final , logo se reencontrem .
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CANTO QUARTO - O VELHO DO RESTELO
As caravelas portugueses preparam-se para a partida . Os marinheiros já a bordo enquanto da praia acenam a seus familiares e amigos . as despedidas são marcadas por lágrimas e esperanças , que se misturam nos corações dos que partem e dos que ficam , saudosos e carregados de esperança de que os seus voltem da aventura . Eis que surge no meio do povo , sem dizer de onde veio , um velho de aparência veneranda que grita com uma voz clara e alta , que do mar todos bem o escutam , contra a aventura marítima que ali começava . O velho condena o desejo de glória e a vaidade dos portugueses que se atiram ao mar , esquecendo a dor dos que ficavam e as preocupações que a estes causavam . O velho amaldiçoa o inventor da navegação e profeticamente vaticina sobre a decadência de Portugal que viria depois da glória . Suas palavras enigmáticas soaram entre os marinheiros , mas em nada mudaram o rumo da História . Assim como veio misteriosamente , desapareceu o Velho do Restelo no meio do povo .
GLOSSÁRIO DE : A MORTE DE INÊS DE CASTRO
ESTROFE 118
VITÓRIA = REFERÊNCIA À BATALHA DO SALADO
D. AFONSO IV = REI DE PORTUGAL
LOGRAR = USUFRUIR , GOZAR
DINO = DIGNO
QUE DO SEPULCRO OS HOMENS DESENTERRA = A FAMA QUE IMORTALIZA OS SERES HUMANOS
MÍSERA = INFELIZ
MESQUINHA = SEM DEFESA , FRACA
DESPOIS = DEPOIS
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ESTROFE 119
AMOR = COM MINÚSCULA ( EDIÇÃO PRIMEIRA ) NO SENTIDO DE AFEIÇÃO COMUM QUE TODOS SENTIMENTOS A ALGUÉM
CRUA = CRUEL
OBRIGA = SUJEITA
MOLESTA = FUNESTA
PÉRFIDA = TRAIDORA , DESLEAL
FERO = VIOLENTO
AMOR = PERSONIFICAÇÃO DO AMOR , O DEUS DO AMOR , O EROS DOS GREGOS . POR ISTO ESTÁ COM MAIÚSCULA .
MITIGA = REDUZ , DIMINUI
ARAS = ALTARES
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ESTROFES 120
INÊS = GREGO = PURA ( AGNÉ )
SÂNSCRITO = AGNIS = FOGO = PURIFICADA PELO FOGO
SOSSEGO = SOSSEGADA
COLHENDO = APROVEITANDO A JUVENTUDE
FRUCTO = FRUITO = FORMA ARCAICA
LEDO = ALEGRE
FORTUNA = DESTINO
MONDEGO = RIO DE PORTUGAL
FERMOSOS = FORMOSOS
ENXUITO = ENXUTO
O NOME NO PEITO ESCRITO TINHAS = REFERÊNCIAS A D.PEDRO , REI DE PORTUGAL .
Comentário da estrofe 120 = Esta estrofe mostra a tranqüilidade da bela Inês que colhia frutos do amor nos saudosos campos do Mondego , mas que o destino não deixaria durar muito . No verso 3 da estrofe 120 , Camões assevera que o amor embora ledo é sempre engano , uma ilusão , engano cego .
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ESTROFE 121 =
ALI = REFERÊNCIA AOS CAMPOS DO MONDEGO
FERMOSOS = FORMOSOS OLHOS
LEMBRANÇAS = MEMÓRIAS
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ESTROFE 122 =
TÁLAMOS = LEITO NUPCIAL , NÚPCIAS
GESTO = ROSTO
SUJEITA = CATIVA
NAMORADAS = RELATIVOS A AMORES
ESTRANHEZAS = NAMORADAS ESTRANGEIRAS
SESUDO = SISUDO , SÉRIO
FANTASIA = CAPRICHO , TEIMOSIA = CAPRICHO DO FILHO EM QUERER CASAR-SE COM PESSOA QUE NÃO ERA DA SUA MESMA ESTIRPE .
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ESTROFE 123 =
DETERMINA = O REI QUE TIVEREM A VIDA DE INÊS
POR = PARA
INDINA = INDIGNA
FOGO ACESO = PAIXÃO
FUROR = LOUCURA
MAURO = SARRACENO, MOURO
ALEVANTADA = LEVANTADA
UA = UMA
ESPADA FINA = ESPADA NOBRE . INÊS DE CASTRO FOI DEGOLADA E NÃO APUNHALADA .
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ESTROFE 124
HORRÍFICOS = QUE CAUSAM HORROR
ALGOZES = CARRASCOS
ANTE = DIANTE
CAVA = CRUEL
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ESTROFE 125
ALEVANTANDO = LEVANTANDO
DESPOIS = DEPOIS
PERA = PARA
ORFINDADE = ORFANDADE
ATENTANDO = OLHAR COM CUIDADO
ASSI = ASSIM
COMENTÁRIOS : Inês levanta seus olhos piedosos para o céu cristalino , já que as mãos estão atadas por um dos obedientes fiéis servidores do rei ,e olha seus filhos que tem órfãos por causa da crueldade do avô .
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ESTROFE 126
NATURA = NATUREZA
NAS = ENTRE
COA = COM
MÃE DE NINO = ENGANO DO POETA
SEMÍRAMIS , RAINHA DA ASSÍRIA ERA ESPOSA DE NINO . DIZ A LENDA QUE ELA FORA ABANDONADA NUMA FLORESTA PARA AÍ MORRER , MAS AS POMBAS E OUTRAS AVES A ALIMENTARAM E A CRIARAM .
IRMÃOS QUE ROMA EDIFICARAM = RÔMULO E REMO .
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ESTROFE 127 =
GESTO = APARÊNCIA
VENCÊ-LA = CONQUISTÁ-LA
ESCURA = TRISTE
PIEDADE SUA = PIEDADE PELOS FILHOS DE INÊS
COMENTÁRIOS = INÊS IMPLORA PIEDADE AO REI , UMA DONZELA FRACA E SEM FORÇA CUJO ÚNICO CRIME FOI TER-SE SUJEITADO AO AMOR DE QUEM SOUBE CONQUISTÁ-LO . SUGERE QUE ELE TENHA AO MENOS RESPEITO COM OS NETOS .
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ESTROFE 128 =
MAURA RESISTÊNCIA = O PODER DOS MOUROS
VERSOS = MAS , SE ESTA INOCÊNCIA MERECE ISTO
CÍTIA FRIA = SUL DA RÚSSIA
LÍBIA ARDENTE = ANTIGO NOME DADO À ÁFRICA
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ESTROFE 129 =
FERIDADE = FEROCIDADE
MOURO = MORRO , MORRO DE AMORES
REFRIGÉRIO = ALÍVIO , CONFORTO
COMENTÁRIOS = INÊS PEDE PARA SER COLOCADA ENTRE FERAS , O QUE LHE SERÁ MENOS DOLOROSO QUE O CONVÍVIO ENTRE OS HOMENS PORQUE PROCURARÁ ENTRE AS FERAS A PIEDADE QUE NÃO ENCONTROU ENTRE OS CORAÇÕES HUMANOS . NO EXÍLIO CRIARÁ OS FILHOS DO AMOR POR QUE MORRE E QUE LHE SERVIRÃO DE CONSOLO .
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ESTROFE 130 =
BENINO = BONDOSO
PERTINAZ = OBSTINADO , PERSEVERANTE
FEROS = FEROZES
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ESTROFE 131 =
QUAL = COMO
CO = COM
PIRRO = FILHO DE AQUILES
VERSO 5 ( MAS ELA , OS OLHOS COM QUE O AR SERENA ) = O VERSO PODE SER LIDO ASSIM : MAS ELA ( POLICENA) (COM) OS OLHOS COM QUE SERENA O AR .
ENDOUDECE = ENDOIDECE
MANES = ALMA DOS MORTOS
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ESTROFE 132 =
COLO = REGIÃO FRONTAL ABAIXO DO PESCOÇO
ALABASTRO = MUITO BRANCO
SUSTINHA = SUSTENTAVA
OBRAS = AÇÕES AMOROSAS DE INÊS QUE CONQUISTARAM D.PEDRO
RAINHA = REFERÊNCIA A D.PEDRO , QUE CINCO ANOS DEPOIS DA MORTE DA ESPOSA , TRANSPORTOU SEU CORPO DO CONVENTO DAS CARMELITAS EM COIMBRA PARA O MOSTEIRO DE ALCOBAÇA .
IROSOS = CHEIOS DE IRA
CUIDOSOS = DESCUIDADOS
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ESTROFE 133 =
VERSO 2 = ( TEUS RAIOS APARTAR AQUELE DIA ) = O SOL PODERIA APARTAR SEUS RAIOS DOS OLHOS DOS CARRASCOS .
BOCA FRIA = OUVIR A ÚLTIMA PALAVRA DA BOCA GELADA DE INÊS
ESPAÇO = SENTIDO DE TEMPO
COMENTÁRIOS = A ESTROFE EXORTA O SOL A ESCONDER-SE DIANTE DO HORROR DAQUELA CENA COMO FEZ QUANDO ATREU VINGOU DE SEU IRMÃO TIESTES , QUE TIVERA AMORES COM SUA MULHER , DANDO-LHE DE COMER DOS PRÓPRIOS FILHOS .
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ESTROFE 134 =
ASSI = ASSIM
MÃOS LASCIVAS = MÃOS BRINCALHONAS , ALEGRES
CAPELA = GRINALDA
COA = COM A
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ESTROFE 135 =
AS FILHAS DO MONDEGO = AS NINFAS DO MONDEGO SEGUNDO ALGUNS CRÍTICOS , OUTROS ACHAM QUE SÃO AS MOÇAS DE COIMBRA , AS JOVENS CONTEMPORÂNEAS DO TRÁGICO EPISÓDIO .
MORTE ESCURA = TRISTE
MEMORARAM = RECORDARAM
FONTE = FONTE DOS AMORES , NA QUINTA DAS LÁGRIMAS , EM COIMBRA .
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ESTROFE 94 =
ASPEITO = ASPECTO
VENERANDO = VENERÁVEL
MENEANDO = MOVENDO DE UM LADO PARA OUTRO
EXPERTO PEITO = CORAÇÃO EXPERIMENTADO
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ESTROFE 95 =
A QUEM = QUE
FRAUDULENTO = ARDILOSO - ENGANADOR
ATIÇA = AUMENTA
AURA = COM UM PRESTÍGIO
JUSTIÇA = PUNIÇÃO
VÃO = CORAGEM INÚTIL
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ESTROFE 96 =
SAGAZ =ASCENSÃO
SUBIDA= DIGNA
DINA =VITUPÉRIOS = INSULTOS
NÉSCIO = IGNORANTE
COMENTÁRIOS = O VELHO AFIRMA QUE A GLÓRIA DE MANDAR É UMA DURA INQUIETAÇÃO DA ALMA E DA VIDA ; UMA FONTE DE ABANDONO E DE ADULTÉRIOS , UMA ASTUTA CONSUMIDORA DE PROPRIEDADES . O POVO ENGANA-SE A SI MESMO COM TAIS NOMES ( FAMA - GLÓRIA )
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ESTROFE 97 =
PREEMINENTE = SUPERIOR , DISTINTO
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ESTROFE 98 =
DAQUELE INSANO = DAQUELE LOUCO - ADÃO
IDADE DE OURO = HOMEM PLENAMENTE FELIZ
FERRO = HOMEM DECADENTE
ARMAS = PERÍODO DE GUERRAS
COMENTÁRIOS = OS VERSOS REFEREM-SE A ADÃO , CUJO PECADO ORIGINAL CONDENOU OS HOMENS AO EXÍLIO DO PARAÍSO , E À NECESSIDADE DE LUTAR PELA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA .
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ESTROFE 99 =
VERSO 8 ( TEMEU TANTO PERDÊ-LA QUEM A DÁ : ) REFERE-SE A CRISTO QUE TEMEU TANTO A MORTE NA CRUZ AO PONTO DE SUAR SANGUE NO HORTO DAS OLIVEIRAS .
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ESTROFE 100 =
ISMAELITA = MOURO
SOBEJAS = MUITAS
VERSO 3 = REFERÊNCIA AO FATO DOS MOUROS SEGUIREM O ALCORÃO .
PELEJAS = LUTAS
MAIS DESEJAS = AMBIÇÕES PORTUGUESAS - NOVAS RIQUEZAS
ELE = O ISMAELITA
ESFORÇADO = CORAJOSO - FORTE
COMENTÁRIOS = O VELHO REFERE-SE AOS PERIGOS QUE CORREM OS PORTUGUESES COM A PROXIMIDADE DOS VALENTES MOUROS , ENQUANTO OS SOLDADOS DESEJAM TERRAS E RIQUEZAS , QUANDO BASTARIA SEREM LOUVADOS POR SUAS VITÓRIAS CONTRA OS MOUROS .
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ESTROFE 101 =
INCÓGNITO = DESCONHECIDO
LISONJE = ELOGIE
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ESTROFE 102 =
LENHO = BARCO
VERSO 3 ( DIGNO DA ETERNA PENA DO PROFUNDO ! ) = DIGNO DO ETERNO SOFRIMENTO DO INFERNO .
JUÍZO = JULGAMENTO - SENTENÇA
VERSO 7 ( TE DÊ POR ISSO FAMA NEM MEMÓRIA ) = NUNCA FALE , CANTE OU ESCREVA SOBRE TUA FAMA OU MEMÓRIA .
VERSO 8 ( MAS CONTIGO SE ACABE O NOME E GLÓRIA ! ) = SEJA ESQUECIDO .
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ESTROFE 103 =
DANO = PERDA
ESTÁTUA ILUSTRE= HUMANIDADE , O HOMEM - CRIAÇÃO DE PROMETEU
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ESTROFE 104 =
NEFANDO = TORPE , ODIOSO , IMPERDOÁVEL .
FAMA AO RIO = RIO PÓ
INTENTADO = POR TENTAR
MOÇO MISERANDO = REFERÊNCIA À LENDA DE FAETONTE OU FALTON, FILHO DO SOL , QUE SE APROXIMOU TANTO DA TERRA NA CARRUAGEM DO SOL , QUE QUEIMOU VÁRIAS REGIÕES .
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